Carl e Mary eram o casal mais improvável. A diferença de idade acentuada pela falta de experiência dela, fazia esquecer as coisas em comum, como o gosto por roupas de griffe e a preocupação com a aparência quase fútil e o professar a mesma fé. Mas como a vida é feita de milhões de “incombinações”, um dia os dois se apaixonaram, se prepararam e saltaram para uma vida a dois.
Carl tinha uma amiga. Sabine era como um menino na turma, pra quem os meninos de verdade contavam tudo. Era engraçado como com ela eles se sentiam seguros pra dizer qualquer bobagem, pra contar qualquer vergonha, pra pedir conselhos, pra chorar sem medo. Sabine e Carl se gostavam muito, mas viam-se pouco. Só que nos momentos em que estavam juntos não era preciso mais que um olhar ou meias palavras pra sentirem como estava o ânimo um do outro...
Como todo homem ele era meio desligado às vezes, mas sempre atencioso. Sabine, como toda mulher que decide não lutar pelos homens, mas ser a melhor amiga e esperar que o príncipe encantado venha de longe de seu circulo social, procurava não empatar os romances do amigo e mantinha distância quando julgava necessário. Sendo assim, ambos guardavam suas brincadeiras para quando não havia ninguém por perto, não precisando deixar assim de se relacionar, como em relacionamentos anteriores.
Há quem diga que eu tenho um ônibus mágico...
O que acontece de verdade é que eu ando muito de ônibus e por isso fica fácil conhecer um monte de gente... dá até pra conhecer um monte de gente legal! As vezes você não conhece mas vê todo dia, sabe em que ponto desce, segura a sacola, os cadernos, o laptop... tem também um monte de gente que eu conheço, que estudei junto e por mais que a gente se esbarre naquele empurra-empurra, não deseja um bom dia, não pergunta das crianças nem nada.
Ontem eu tava meio emburrada, com pressa, morrendo de calor. Tava pensando na vida, nas coisas difíceis da vida, nos problemas que meus amigos e eu estamos enfrentando. Tava pensando na minha dificuldade de dormir no verão e em como isso me deixa dolorida e cansada.
O ônibus parado ao lado do metrô, entra um bodinho olhando pro acento ao meu lado, titubeia entre tantos outros bancos vazios, mas o povão nas suas costas não lhe dá mais tempo pra pensar. Senta e solta: - Que calor!
Eu teria rido de um clichê tão clichê se não tivesse derretendo com o mesmo calor. Com a mão na boca, perplexa ainda da “abordagem” do rapaz, começo a responder a uma avalanche de perguntas, avalanche assumida pelo interlocutor e acentuada pelas minhas respostas curtas e sarcásticas.
Não era falta de educação e muito menos de interesse, até porque, como ele bem lembrou e eu bem neguei (rs), conversa mole faz a viagem ficar mais curta e menos cansativa. Acontece que eu não sei perguntar de volta, sabe, não sei fazer a social! Eu normalmente converso contando e ouvindo o outro contar, diante de perguntas como “qual é o seu nome” e “em que você trabalha” eu só sei responder “Suzana” e “administração”!
Existem sonhos meus que já desistiram da árdua tarefa de serem sonhos e se deixaram virar pesadelos.
Eu tenho sonhos realizados que há muito já perderam o sabor.
Tenho uns sonhos perdidos, na falta de tempo, na falta de memória.
Sim, eu tenho sonhos esquecidos.
Tem também uns sonhos caducos, esgarçados e puídos.
E tem outros que todas as manhãs, quando o galo canta alto, ganham um novo lustro.
Eu tenho sonhos possíveis, impossíveis e inimagináveis. Eu tenho sonhos impalpáveis.
Tenho sonhos de trabalho, tenho sonhos de vida, tenho sonhos de amor...
Eu tenho sonhos de céu, daqueles que se sonha enquanto dorme e se continua sonhando de manhã e também no outro dia.
Mas não se engane, eu tenho novos sonhos, sonhos de poder, de misericórdia, de união, de redenção...
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